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Os objectivos de aprendizagem, no domínio cognitivo, definidos para a implementação da metodologia PLE no MIEGI foram equacionados tendo em conta a taxonomia de Bloom (Bloom and Krathwohl, 1956). No referido domínio esta taxonomia classifica os objectivos de aprendizagem de acordo com os níveis representados na Figura 1. As competências adquiridas pelos alunos ao cumprirem os objectivos de um determinado nível incluem também as competências inerentes aos níveis inferiores.
Figura 1 - Taxonomia de Bloom (adaptado de: Felder e Brent, 2007)
Ao atingirem os objectivos do nível mais baixo da hierarquia – nível de conhecimento – os alunos estabelecem um primeiro contacto com uma determinada área de estudo, conseguindo relembrar/citar definições e outros conceitos de base afectos a essa área, sem no entanto serem capazes de os explicar em detalhe.
No nível de compreensão, os objectivos endereçam já a capacidade para interpretar, classificar e comparar termos e conceitos, tornando possível, naturalmente, a respectiva explicação detalhada, oral ou escrita. Refira-se contudo que este nível de compreensão diz respeito ainda a conceitos de base e não a conceitos/sistemas avançados associados à área em estudo.
Com o cumprimento dos objectivos de aprendizagem do nível seguinte – nível de aplicação - os alunos começam a conseguir aplicar os conhecimentos adquiridos quando confrontados com novos cenários/situações (obviamente no âmbito da área em estudo). São capazes de efectuar cálculos e resolver novos problemas aplicando metodologias adequadas.
No nível de análise as competências adquiridas começam a estender-se para além dos conceitos de base, iniciando-se a abordagem a conceitos/sistemas avançados. Desse modo os alunos conseguem explicar, interpretar e prever o comportamento de um sistema.
Para que os alunos desenvolvam competências de avaliação é necessário aliar à experiência adquirida no nível de análise, um conjunto de objectivos adicionais - é essa a razão de ser do nível de avaliação da taxonomia de Bloom. Além de analisar, os alunos passam a ser capazes de criticar e comparar diferentes sistemas propostos para lidar com um dado cenário/situação. Essa comparação implica a definição de critérios e de formas de avaliação e classificação, definição essa que faz parte das competências adquiridas.
Finalmente, no topo da hierarquia, encontra-se o nível de síntese. O cumprimento dos objectivos deste nível traduz-se na capacidade para conceber, projectar e planear o desenvolvimento de novos sistemas. Indo de encontro ao que já foi referido, ao cumprir os objectivos do nível de síntese, os alunos estão de facto a cumprir os objectivos de todos os níveis inferiores da taxonomia. No entanto é conveniente referir que quando se cria um curso, ou uma disciplina, a ordem pela qual vão surgindo os diversos níveis de objectivos, não tem que ser sequencial, embora a Figura 1 isso pareça indiciar.
Numa classificação algo generalista os níveis de conhecimento, compreensão e aplicação são considerados como sendo objectivos de baixo nível, e os níveis de análise, avaliação e síntese como objectivos de alto nível. Felder e Brent (2007) referem que embora os cursos de graduação se centrem, sobretudo, nos objectivos de baixo nível da taxonomia de Bloom, é desejável que todos os níveis sejam endereçados e advogam que logo no primeiro ano de um curso de graduação devem ser introduzidos objectivos dos níveis mais elevados – análise, avaliação e síntese. As implementações PLE no MIEGI seguem essa abordagem, procurando, no conjunto das unidades curriculares de apoio directo ao projecto (project supporting courses) incluir objectivos de aprendizagem de todos os níveis. No caso do desenvolvimento de protótipos estão claramente subjacentes objectivos do nível mais elevado – síntese (projectar, criar, etc.).
REFERÊNCIAS
Bloom, B. S. and Krathwohl, D. R. (1956). Taxonomy of Educational Objectives: The classification of educational goals by a committee of college and universitary examiners. New York, Addison-Wesley.
Felder, R. and Brent, R. (2007). “Effective Teaching” documentação da acção de formação 01/2007 de 10-11 de Setembro de 2007, Universidade do Minho.